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Carinhos e Carícias
p/Ana Perwin Fraiman

Quanto maior a vontade de conhecer, maior o impulso de olhar e tocar com cuidado. Passeamos o olhar por tudo aquilo que queremos possuir, com calor e intensidade, como que enxergando por dentro. É um "olhar de veludo", envolvente. E tocamos suavemente, buscando conhecer através dos sentidos, colocando o objeto querido dentro de nós mesmos.
 
É assim que os amantes se acariciam. Tocam com os olhos, enxergam pelas mãos. Tudo muito precioso e fugidio, não uma busca sôfrega, mas um profundo e apaziguante encontro das almas. Entre amantes-amados um abraço significa tanto quanto sexo, emprestando segurança, confiança e aceitação, acolhendo o outro junto ao nosso corpo.
 
Os gestos sensuais são lentos e, principalmente, naturais. Aliás, são sensuais exatamente porque são naturais. Não é "fazendo pose" que conquistamos alguém. A "pose" chama a atenção, a espontaneidade encanta. Não há nada mais atraente que um andar desembaraçado, um riso solto, frescor de banho recém-tomado, sem esforço para agradar. Pequenos gestos podem ter efeito de uma "bomba", na consciência e no querer do outro.
 
A simplicidade, a graça de juventude, o charme da maturidade, estar de-bem-com-a-vida, é o que mais cativa numa relação, pois não nos ameaça. Deixa-nos à vontade para sermos quem somos. É natural abraçar um amigo, beijar as faces de uma criança, descansar a cabeça no ombro do namorado, voltar a deitar no colo da mãe.
 
Precisamos ser vistos e tocados. A pior coisa é a indiferença. Ser tratado como se não existíssemos. Chega a ser enlouquecedor. Para chamar a atenção, crianças fazem birra, adolescentes ficam rebeldes, adultos se tornam agressivos chegando, algumas vezes, à violência, e os velhos podem ficar doentes ! Corpo que não é tocado, abraçado, como que deixa de existir. Ou, então, dói. O toque e, principalmente, a carícia, é o registro físico da nossa existência.
 
Quando desejamos alguém é difícil suportar a distância física. O amor dos sentidos anseia por carícias sensuais.
 
O amor-amigo requer menos carícias e mais carinho. Um afago, um olho-no-olho, mãos dadas ou, simplesmente, sentir o calor do corpo do outro... O carinho pode evoluir para a carícia sensual, ou permanecer na leveza do agrado e do bem-querer. Acariciar o rosto de alguém, dar um beijo terno, se enroscar e ficar abraçadinho... são carícias de amizade.
 
A linguagem dos gestos é muito rica e nem todos fomos bem "alfabetizados" nessa linguagem. Usamos o corpo para trabalhar, fazer filhos, buscar prazer. Muito pouco para nos comunicar e relacionar. Sem jeito, podemos tocar os outros de uma forma que eles não gostam.
 
Já reparou como adolescentes trocam tapas, encontrões, cotoveladas, uns nos outros, exatamente porque ainda são inexperientes e estão ansiosos com o novo despertar dos sentidos e as mudanças do seu corpo ? Carinho numa colega, tudo bem. Entre rapazes ? Nem pensar ! Têm muitas dúvidas a seu próprio respeito e sobre sexo, para se arriscar. Vivem se tocando como se não o fizessem, ou como se não fosse tão importante.
 
Com a auto-confiança trazida pelo amadurecimento fica menos difícil para um homem expressar seu bem-querer por um amigo do mesmo sexo e trocar "aquele" abraço. Mulheres são mais fluentes nessa linguagem. Mexem nos cabelos, umas das outras, conferem sua pele, se está macia com o novo creme... Se afagam com naturalidade, numa troca de carinho mútuo que encanta e, também, atrai um companheiro. Mais do que inteligente e bonita, o que o homem mais deseja é uma mulher carinhosa. Mais gestos e menos palavras. Mais abraços e beijo e menos conselhos ou palpites que não são solicitados.
 
Mesmo a pessoa mais carinhosa pode, porém, nalgum momento, precisar se recolher e não querer fazer nada. Fazer carinho é dar de si, e nem sempre queremos ou temos o que oferecer. Algumas pessoas são pobres nesta linguagem. E outras detestam ser tocadas. Amam de longe.
 
Nem todos aprendemos a "falar" com o nosso corpo. Nossos sentimentos ficam presos e nossas mãos se esquecem de acariciar, os olhos não conseguem mirar. A repressão dos afetos, a falta de carinho durante a criação têm um peso considerável nisto tudo. Mas, o mais importante é se você deseja superar dificuldades e ser mais fluente nos gestos.
 
Talvez não lhe faça tanta falta. Mas, se seu companheiro, ou companheira, reclama, diz que você é insensível, distante, vale a pena desenvolver mais a linguagem do toque, carinhos e carícias, em vez de apostar tudo no momento sexual.
 
Comece por beijar seus filhos. Faça um carinho na sua avó. Ou na sua mãe. Adote um cachorrinho. Sorria para seus colegas. Abrace apertado um amigo. Olhe nos olhos da pessoa amada. Principalmente, acaricie seu próprio rosto e seu próprio corpo, dizendo com alívio e alegria: "Ah, como eu gosto de você! Que bom te encontrar de novo!"

Artigo enviado por colaborado e tambem publicado na revista " Caras ".


          

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